Estímulos: Gênesis / Subjetividade minha / Preenchimento / Movimentação coletiva / Poética da impermanência / Dançar / Manchas / Recodificação / Roupa coletiva / Corpo coletiva / Respiração profunda / Abrangências / Coleta e captura / Fio, pele e contorno / Resistir e resistência / Matéria e instrumento / O que resta de uma experiência? 

Texto curatorial, 

O que pode ser escrito aqui? 

Poderia me alongar entorno do título, que indica remeter à questões médicas, biológicas e existenciais da palavra, de como este pensamento pode levar à uma passiva ideia de ser a outra, observada, estudada, admirada, homenageada, cortada e ver como política pode ser a atuação de um título. Pretérito Perfeito. 

Posso falar das artistas, da genialidade de um gesto de cada uma e da coletividade temporalizada nesta exposição. Da complexidade do trabalho de cada uma delas e de como processo se deu. De como os encontros entre treze artistas, uma curadora e uma psiquiatra, por quatro semanas abriu uma porta do sensível. Como a conversa estava também expandida no fazer arte de cada uma. 

A ainda assim voltar ao título, que coloca um caminho, agora ativo, auto percepção contornada não por um ativo de vingança mas sim de conhecimento de si. 

Posso escrever do riso do alcance de uma intectualidade. Do sensível estar alargado a todos os órgãos e na atuação dos órgãos, não mais dicotômico. Da descoberta digestiva da observação, da percepção de saberes tido como instintivos poderem ser vistos como intelectuais. Do corpo conquistar sua unidade perdida na história dos homens. 

Ainda é possível se descrever a presença masculina aqui. Sim, esperada. Partilhada. Isolada. Se pensarmos e desenvolvermos verdade em torno da arte, da filosofia e da dita humanidade, é pagando tributo a um registro de pensamento que vem sido dissecado desde então. A mulher, seu corpo, comportamento, voz, partes, tem sido abraçada e afastada. Ele está aqui também, com um passo junto, na humanidade. 

Descrever ainda como uma exposição feita por mulher, parceria fina e agressiva, perfurações, contornos, bordas alargadas, sangue, suor e pedra. 

Posso escrever e descrever, mas aproveito o limite da página como borda. Como a casa que me acolhe, e fico aqui para fazer um convite: 

Entrem aqui, percebam o cheiro, ele está dizendo algo. Escutem os sons, eles estão dizendo algo. Cheguem devagar, repitam os espaços, deixem seus olhos tocarem em tudo. Gastar tempo aqui. Gastar ideia aqui. Leve leve. 

Dissequem. 

Keyna Eleison